Aviação regional em foco: avanços recentes e caminhos para um novo ciclo de crescimento

A aviação regional brasileira voltou ao centro do debate nacional com o lançamento do programa Ampliar em junho de 2025. Essa iniciativa reforça os sinais positivos que já vinham sendo discutidos por diversos atores do setor e confirma uma guinada institucional em direção à retomada estruturada e sustentável da conectividade regional no país.

Nos últimos meses, o INVOZ tem participado ativamente de fóruns e reuniões estratégicas sobre o tema, incluindo a importante discussão recente promovida em conjunto pela ABAG (Associação Brasileira para a Aviação Geral) e pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC). Nesse encontro, representantes do governo, da indústria e operadores regionais discutiram os principais entraves e caminhos possíveis para transformar boas intenções em políticas públicas concretas.

💡 Sinais de avanço: Governo assume o papel de indutor

O programa Ampliar surge como um novo marco federal, com foco em:

  • ampliar o número de aeroportos atendidos pela aviação regional;
  • estimular o turismo de negócios e lazer em regiões de menor acesso;
  • desenvolver rotas regulares operadas com aeronaves de menor porte;
  • conectar polos econômicos fora do eixo tradicional.

Estão também sendo estudadas as possibilidades de linhas de financiamento voltadas à renovação de frota, aquisição de combustível e melhoria de infraestrutura logística. Essa abordagem é estratégica, mas sua eficácia dependerá de ajustes regulatórios, como maior flexibilidade no RBAC 135 regular e superação de barreiras como a judicialização excessiva e o alto custo operacional.

🚧 Desafios: financiamento, regulação e capacidade industrial

Os entraves históricos do setor foram novamente evidenciados:

  • Modelo econômico antieconômico: baixa atratividade para investidores privados nas rotas regionais.
  • Falta de aeronaves compatíveis fabricadas no Brasil e desafios adicionais no financiamento de aeronaves importadas: a aviação que trata o RBAC 135 regular refere-se a operações de transporte aéreo público, com aeronaves de até 19 assentos e capacidade máxima de carga de 7.500 libras (3.400 kg), que envolvem voos regulares com horários e rotas predefinidos.      Esses voos são definidos como regulares quando a empresa aérea determina a origem, destino e horário do voo, diferente da RBAC 135 taxi aéreo.
  • Carga tributária e custo do combustível: a reforma tributária em debate pode piorar o cenário atual, já agravado pela alta do querosene de aviação e infraestrutura aeroportuária cara.

🧭 Recomendações em  debate

Estão sendo debatidas ideias que possam ajudar a endereçar as oportunidades e vencer os desafios. Ainda que estejamos no campo das      ideias, a abertura para envolver as diversas partes dessa engrenagem e      discuti-las é positiva.

  1. Incentivar as grandes companhias a operarem rotas regionais via subsídios operacionais e licitações específicas.
  1. Promover o uso ampliado de aeronaves de pequeno porte em malhas regulares.
  2. Incentivar o uso de SAF – Combustível Sustentável para Aviação.
  3. Aprender com iniciativas estaduais anteriores bem-sucedidas, como em Minas Gerais e Paraná.
  4. Integrar dados e estudos da ABAG, INVOZ, SNETA e operadores aéreos na formulação de políticas federais e estaduais.

🤝 Papel do INVOZ e convite àparticipação

O INVOZ reafirma seu papel como facilitador das discussões e conector entre os diversos stakeholders do ecossistema da aviação regional no Brasil — incluindo operadores, governo, indústria, associações, investidores e a sociedade civil. Seguiremos promovendo o diálogo técnico, disseminando conhecimento e buscando soluções sustentáveis que viabilizem um modelo de aviação mais acessível e descentralizado.

Convidamos você a acompanhar nossos artigos trimestrais, eventos e iniciativas. Sua participação é fundamental. Envie suas perguntas, sugestões ou comentários: queremos ouvir diferentes pontos de vista e fortalecer essa rede de colaboração. A revitalização da aviação regional é um desafio compartilhado — e um caminho promissor para a integração e o desenvolvimento do Brasil.

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